17/05/2006
TOP 10: Filmes para assistir depois de "O Código Da Vinci"
Greice Schneider
Do A Tarde On Line
Nas últimas semanas, todas as atenções têm se voltado para o lançamento de “O Código Da Vinci”, que levanta a hipótese de Jesus ter sido casado com Maria Madalena e deixado descendentes. Alternativas polêmicas à história “oficial” de Jesus Cristo e a busca do Santo Graal não são novidade nas telas. O Cineinsite preparou uma lista de 10 outros filmes que, de uma forma ou de outra, tratam do mesmo universo.
Indiana Jones e a Última Cruzada, 1989
Steven Spielberg
A alucinante trilogia de aventura é um clássico do gênero e segue um ritmo similar ao da história de Brown. Assim como Robert Langdon, Indiana Jones (Harrison Ford) é um pesquisador respeitado que acaba se metendo em uma jornada cheia de perigos. No último filme da série, Indiana Jones luta contra nazistas para salvar seu pai (Sean Connery), com quem segue em busca do Santo Graal.
A Vida de Brian, 1979
O Cálice Sagrado, 1975
Monty Python
Se Indiana Jones é um ícone no cinema de aventura, o Monty Python é o supra-sumo da comédia, com um humor britânico que mistura muita sátira, nonsense e iconoclastia. Dois dos filmes da trupe tratam, de alguma forma, dos mesmos temas de “O Código Da Vinci”. A busca do Graal está novamente presente em “O Cálice Sagrado”, uma alusão às histórias do Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda. Já “A Vida de Brian” é uma paródia à própria vida de Cristo. Por conta de uma incrível confusão, o vizinho de Jesus, Brian de Nazaré, acabou sendo confundido com o profeta, enganando desde os Reis Magos aos discípulos que esperavam o retorno do Messias. O filme foi bancado por George Harrison porque os estúdios se recusaram a financiá-lo. “A Vida de Brian” foi banido em vários países por acusação de blasfêmia, mas mesmo assim fez o maior sucesso, faturando US70 milhões.
Dogma, 1999
Kevin Smith
Continuando no ramo da comédia, o “Dogma” de Kevin Smith é uma paródia mais pop, mas não menos polêmica, das histórias bíblicas. Ambientado em Nova Jersey no final do século XX, o filme brinca com questões controversas, como um décimo terceiro apóstolo negro que foi omitido pela bíblia (Chris Rock) ou o fato de Deus ser uma mulher (a cantora Alanis Morisette). Com um elenco estrelado por Ben Affleck, Matt Damon, Salma Hayek, o longa também provocou protestos da igreja católica e muita repercussão na mídia, mas ao contrário de “O Código Da Vinci” (que vai estrear em mais da metade das salas do país), foi boicotado pelos cinemas, ficando restrito ao circuito alternativo.
Je Vous Salue, Marie, 1985
Jean-Luc Godard
Em mais um filme que deixou a igreja incomodada, Godard questiona o milagre da natividade de Jesus: a história de José e Maria é adaptada para o mundo contemporâneo onde José é um taxista e a mãe de Jesus é uma frentista em um posto de gasolina. Ao descobrir sobre sua gravidez através da revelação de Gabriel, Maria é obrigada a conviver com os planos divinos e com a desconfiança do marido. "Je Vous Salue Marie" foi o último filme a ser censurado no Brasil, em 86, por ofender as crenças católicas.
Jesus Cristo Superstar, 1973
Norman Jewison
Adaptação do polêmico musical da Broadway, “Jesus Cristo Superstar” transfere a história bíblica para o mundo dos hippies, com direito a todo o kit do movimento: um cristo ripongo, apóstolos usando calças boca-de-sino, soldados romanos usando metralhadoras (em alusão à Guerra do Vietnã da época), uso de drogas e o amor livre. Para aumentar o desespero dos católicos, Jewison também inova ao narrar a história do ponto de vista de Judas. As músicas da ópera-rock foram compostas por Tim Rice e Andrew Lloyd Webber. O filme recebeu seis indicações ao Globo de Ouro.
A Última Tentação de Cristo, 1988
Martin Scorcese
Mais um longa inspirado em livro (Nikos Kazantzakis). Dessa vez, a veia cômica é deixada de lado e se investe em uma abordagem humanista e terrena da vida de Jesus Cristo (interpretado por Willem Dafoe). Do diretor de "Touro Indomável", o filme mostra um Jesus em conflito: já na cruz, ele se questiona sobre o que teria acontecido caso optasse por seguir uma vida normal, com esposa e filhos. Nesse sentido, o "A Última Tentação de Cristo" se aproxima de “O Código Da Vinci” na medida em que também acolhe a hipótese do casamento e a existência de descendentes de Jesus.
A Paixão de Cristo, 2004
Mel Gibson
Se até aqui os escritos bíblicos foram adaptados em versões diferentes, acusadas de hereges pela igreja, a proposta de Mel Gibson é justamente de ir para o outro extremo: “A Paixão de Cristo” propõe a fidelidade do texto: seus atores falam aramaico e latim, o ambiente foi minuciosamente construído e as passagens são encenadas em detalhe, até de forma literal. Trata-se de um filme sem sutilezas e sem concessões: para Gibson, o único meio de mostrar o sofrimento de Cristo é fazendo o espectador “sentir na carne” o flagelo da via crucis. Para isso, o diretor TFP (Tradição, Família e Propriedade) carrega na violência explícita, em um festival sensacionalista de sangue, feridas abertas e dor de deixar qualquer Tarantino no chinelo. Com pouca contextualização e muita apelação, o filme agradou os católicos mais fervorosos e arrecadou mais de US$ 300 milhões.
Jesus de Montreal, 1989
Denys Arcand
Aqui também o foco está na Paixão de Cristo, mas de um jeito diferente. Do mesmo diretor de “Invasões Bárbaras”, "Jesus de Montreal" conta a história de um ator que resolve encenar a Paixão nos parques de Montreal. O interessante é que sua vida pessoal acaba repetindo passagens da vida de Jesus. O filme não propõe uma versão alternativa à oficial, mas contrapõe o texto original à contemporaneidade, fazendo uma dura crítica à sociedade de consumo.
O Evangelho Segundo São Mateus, 1964
Pier Paolo Pasolini
Se existe um cineasta que poderia ser associado à polêmica, esse sem dúvida é Pasolini, diretor de obras como “Saló: 180 dias de Sodoma e Gomorra” e “Teorema”. No entanto, seu “Evangelho Segundo São Mateus” foi considerado pelo Vaticano como um dos melhores filmes religiosos já feitos. Elogiado pela crítica, o longa realça a dimensão humana de Jesus, em uma abordagem lírica, amena e pouco contestadora.
Indicado a três Oscars, "O Evangelho Segundo São Mateus" segue uma tendência neo-realista, com atores não-profissionais e cenas filmadas em locação. A singeleza com que Pasolini filma contrasta com a crueza e violência mostradas no filme de Gibson.
BÔNUS: PARA LER
O Pêndulo de Foucault – Umberto Eco
O "Pêndulo de Foucault" é leitura obrigatória para os admiradores de histórias sobre o ocultismo, as lendas sobre simbologias religiosas e coisas do tipo. O livro de Eco poderia ser considerado uma espécie de "Código Da Vinci" em um estágio mais avançado. Além de escrever melhor, Eco mostra profunda familiaridade com esses assuntos (como os cavaleiros templários, o priorado de sião, os rosa-cruzes etc). O grande diferencial de “O Pêndulo de Foucault”, no entanto, é que ele tira um sarro com essa obsessão por tantas teorias da conspiração. Se o assunto é decifrar sinais, Eco sabe do riscado melhor do que ninguém, e mostra por A mais B o quão forçadas podem ser certas “conexões”.
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